sábado, 4 de janeiro de 2025

Domenico De Masi - O trabalho no século XXI: Fadiga, ócio e criatividade na sociedade pós-industrial# 18

 



Autor: Domenico De Masi
Título: O trabalho no século XXI: Fadiga, ócio e criatividade na sociedade pós-industrial
Local e data de edição: Editora Sextante; 1ª edição (14 junho 2022)
Número de páginas: 928 páginas
Tema: Trabalho – História. Trabalho – Aspectos sociais – História. Trabalho e trabalhadores.

Domenico De Masi, sociólogo italiano, faz uma analise em “O Trabalho no Século XXI”, as profundas transformações que o conceito e a prática do trabalho sofreram ao longo do tempo, especialmente na transição para a sociedade pós-industrial. O autor propõe uma reflexão sobre como a tríade trabalho, ócio e criatividade deve ser reequilibrada para atender às novas demandas de uma sociedade que se baseia cada vez mais no conhecimento, na tecnologia e na inovação.
De Mais, destaca que o modelo de trabalho da era industrial, caracterizado por longas jornadas, tarefas repetitivas e centralização em fábricas ou escritórios, já não é adequado às condições e necessidades do século XXI. Com o avanço da automação e da inteligência artificial, o autor prevê um deslocamento das ocupações tradicionais para funções mais criativas e intelectuais.
Inspirado por filósofos como Aristóteles e Keynes, De Masi defende o conceito de "ócio criativo", no qual o tempo livre não é um desperdício, mas um espaço essencial para a inovação e a autorrealização. Segundo ele, a sociedade precisa abandonar a obsessão pela produtividade extrema e valorizar atividades que estimulam o pensamento, a criatividade e o bem-estar.
Apesar das promessas de maior eficiência e qualidade de vida trazidas pela tecnologia, o autor reconhece que a distribuição desigual dos benefícios pode aprofundar as disparidades sociais e econômicas. Ele questiona se a sociedade está preparada para lidar com os desafios éticos e políticos dessa transição.
O autor enxerga a criatividade como o motor do progresso humano. Em um mundo cada vez mais automatizado, a capacidade de criar, imaginar e solucionar problemas complexos se torna o diferencial humano em relação às máquinas.
Ele oferece uma visão provocadora e otimista sobre o futuro do trabalho, mas também alerta para os perigos de não enfrentar adequadamente as mudanças estruturais. Sua abordagem interdisciplinar combina elementos da sociologia, economia, psicologia e filosofia, resultando em uma análise abrangente.
O Trabalho no Século XXI é uma obra essencial para compreender as transformações do trabalho na sociedade contemporânea. De Masi nos convida a reimaginar nossa relação com o trabalho, priorizando a qualidade de vida, a criatividade e a sustentabilidade. Apesar de alguns pontos discutíveis, sua análise oferece uma base sólida para repensar os modelos econômicos e sociais em um mundo em rápida evolução.


“O trabalho repetitivo, o fazer continuamente, sempre do mesmo modo, uma única coisa, é uma perspectiva aterrorizante para determinado tipo de mentalidade. É aterrorizante inclusive para mim. Eu nunca conseguiria fazer a mesma coisa todos os dias, mas para outros tipos de pessoa, e diria talvez para a maioria das pessoas, as operações repetitivas não são motivo de terror. De fato, para alguns tipos de mentalidade, pensar é realmente um castigo. Para eles, o trabalho ideal é aquele em que o instinto criativo não deve se exprimir. Os trabalhos que exigem cérebro e músculos tem poucos, aspirantes [...]. O operário médio, sinto muito ter que dizer isso, deseja um trabalho no qual não tenha que usar muita energia física, mas sobretudo almeja um trabalho no qual não tenha que pensar [...]. A maior parte dos homens deseja ser guiada e não quer ter nenhuma responsabilidade.”  Pag. 573

Este parágrafo me deu um mal estar quando o li, mas ao refletir sobre a grande maioria da população e a observar as pessoas ao meu redor, que por sinal tenho contato com uma grande quantidade de pessoas, me trouxe uma tristeza e um questionamento "Será que é uma realidade?", as pessoas são assim mesmo, acomodadas em aceitar sem contestar os padrões. 

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