terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Antônio Bispo dos Santos - A terra Dá, a Terra Quer # 21

 



Autor: Antônio Bispo dos Santos
Título: A terra Dá, a Terra Quer
Local e data de edição: Ubu Editora; 1ª edição (29 maio 2023)
Número de páginas: 91 páginas
Data da Leitura: 18/01/2025                                  Data de Fim: 21/01/2025
Tema: Ecologia

Em A Terra Dá, a Terra Quer, Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo, apresenta uma reflexão profunda e crítica sobre a relação entre os seres humanos, a terra e os sistemas econômicos e culturais que moldam a sociedade. O autor, ativista quilombola e intelectual orgânico, utiliza sua vivência e saberes ancestrais para denunciar as práticas de exploração da terra e as dinâmicas impostas pelo capitalismo, que se contrapõem à lógica comunitária dos povos tradicionais.
O livro é uma crítica ao modelo de desenvolvimento que desconsidera o equilíbrio entre a terra e os humanos, enfatizando que a terra não é apenas um recurso, mas uma entidade que também exige respeito e reciprocidade. Para Nêgo Bispo, os povos quilombolas e outros grupos tradicionais têm muito a ensinar sobre práticas sustentáveis e sobre a construção de sociedades mais harmônicas, pautadas na partilha e na coletividade.
O título, A Terra Dá, a Terra Quer, traduz essa visão: a terra oferece seus frutos, mas também exige cuidado, respeito e devolutiva. O autor explora conceitos como "epistemicídio" (a destruição dos saberes tradicionais), as relações de poder que sustentam o racismo estrutural e a importância da oralidade e da ancestralidade como formas de resistência cultural.
O livro propõe uma reconexão com a terra como um ser vivo, indo além da lógica de exploração para uma lógica de convivência e reciprocidade. Defendo que os saberes dos povos tradicionais são fundamentais para a sustentabilidade e para resistir ao consumismo e à exploração desenfreada. O autor aponta como esses sistemas violentaram tanto os povos quanto a terra, rompendo ciclos naturais e culturais. O autor celebra a importância da oralidade como uma forma de preservar saberes ancestrais e desafiar o apagamento cultural promovido pelo colonialismo.
A Terra Dá, a Terra Quer é uma obra para quem busca compreender as relações entre ecologia, cultura e resistência política a partir de uma perspectiva quilombola. Antônio Bispo dos Santos nos convida a repensar as práticas que sustentam a sociedade moderna e a valorizar os saberes tradicionais como caminhos para um futuro mais justo e equilibrado. É uma leitura transformadora, repleta de ensinamentos que desafiam o pensamento convencional.


“De modo análogo, temos pessoas atrofiadas: pessoas que não foram adestrados para servir ao trabalho, mas que também não conseguem ser malandras. Pessoas adestrados para que não tenham imaginário, para que não consigam fazer nada sua autogestão. Pessoas que não aprenderam a fazer nada nem aprenderam a extrair do que está feito. Pessoas atrofiados que perambulam sem saber aonde ir. Ou ainda, pessoas que foram adestrados e terminaram transformadora flutuante, que passa uma temporada no sul ou no sudeste, em servidão salarial e retorna.”

Cait Flanders - O ano em que menos é muito mais # 20 *

 


Autor: Cait Flanders
Título: O ano em que menos é muito mais
Local e data de edição: Citadel Grupo Editorial; 1ª edição (24 novembro 2020)
Número de páginas: 208 páginas
Data da Leitura: 13/01/2025 Data de Fim: 17/01/2025
Tema: Auto ajuda; Motivacional; Minimalismo

O livro “O Ano em que Menos é Muito Mais” apresenta uma narrativa autobiográfica de Cait Flanders que narra sua jornada ao longo de um ano em que decidiu adotar um estilo de vida minimalista e evitar o consumo desnecessário. Cait compartilha, com honestidade e vulnerabilidade, os altos e baixos de sua experiência, enquanto reflete sobre como o consumo excessivo estava relacionado às suas emoções e comportamentos. Em um primeiro momento ela descreve sucintamente seus desapegos primeiro com a questão das dívidas que foram adquiridas em cartões de crédito, após um colapso emocional. Em um segundo tem a consciência sobre a alimentação sustentável e atividades mais prazerosas como trilhas e convívio com amigos e por fim o seu desapego com bens materiais.
A autora tem uma forma clara e honesta em escrever, permitindo que o leitor se identifique facilmente com suas reflexões e desafios. O livro vai transitando por várias questões, como o consumismo, a sustentabilidade e saúde emocional, ressoando especialmente em uma época de crescente preocupação com o impacto ambiental. A jornada de Cait, nos inspira a reconsiderar nossos próprios hábitos de consumo e a buscar uma vida mais consciente e significativa. Ela compartilha dicas e insights sobre como reduzir o consumo, economizar dinheiro e viver com menos, o que pode ser útil para quem deseja começar a adotar um estilo de vida mais minimalista. A autora não tenta idealizar o minimalismo, mostrando as dificuldades e aprendizados reais de sua experiência.
Em algumas partes, as reflexões de Cait podem parecer redundantes, mas não podemos esquecer que o livro foi baseado nas experiências pessoais da autora. Tanto que podemos visualizar na sua narração os temas como saúde mental e sustentabilidade que foram relacionado diretamente ao seu modo de vida.
O Ano em que Menos é Muito Mais é uma leitura reflexiva e inspiradora, ideal para quem busca repensar sua relação com o consumo e adotar uma vida mais consciente. 


"Não pensei que alguém se incomodaria por eu parar de comprar ou de comer exageradamente ou beber. Para mim não importa se você faz essas coisas, pois isso não me afeta. Tenho que me importar com aquilo que me afeta diretamente. Entretanto sou ingênua por que as pressões sociais são muito opressora.." 

sábado, 4 de janeiro de 2025

Scott Young - Ultra-aprendizagem: domine habilidades valiosas, seja mais esperto que a competição e dê um impulso na sua carreira #19

 


Autor: Scott Young
Título: Ultra-aprendizagem: domine habilidades valiosas, seja mais esperto que a competição e dê um impulso na sua carreira
Local e data de edição: Editora Harper Collins; 1ª edição (2020)
Número de páginas: 304 páginas
Tema: Método de estudo; Aprendizagem.

O livro Ultra-aprendizagem é um guia prático e inspirador que explora como aprender de maneira eficiente, profunda e autodirigida. Escrito por Scott Young, conhecido por desafios como completar o currículo de ciência da computação do MIT em um ano, o autor compartilha estratégias baseadas em pesquisa e experiências pessoais para adquirir habilidades valiosas em menos tempo.
O autor defende que o aprendizado autodirigido é mais eficaz do que o aprendizado passivo. Para isso, é necessário planejar de forma estratégica, identificando quais habilidades ou conhecimentos são mais relevantes para seus objetivos.
Antes de começar, o autor sugere estudar como aprender. Isso significa mapear a estrutura do conhecimento que você deseja adquirir, identificando recursos e abordagens adequados.
O autor também enfatiza a importância de manter um foco intenso durante períodos de aprendizado. Ele sugere técnicas como a prática deliberada e o uso do espaço intercalado para fixar o conteúdo.
Para Young, a prática deve estar intimamente conectada ao uso real da habilidade. Por exemplo, aprender um idioma envolve praticar a fala com falantes nativos em vez de apenas memorizar vocabulário.
Relembrar informações sem consultar materiais é mais eficaz do que reler ou destacar textos. O autor apoia métodos como flashcards e revisões espaçadas.
Receber feedback constante ajuda a corrigir erros rapidamente e ajustar o aprendizado. Ele encoraja buscar mentores, revisar os próprios erros e estar aberto a críticas construtivas.
Young reconhece os desafios emocionais e cognitivos do aprendizado intenso. Ele incentiva a desenvolver resiliência para superar períodos de dificuldade e evitar a procrastinação.
O livro se destaca pela aplicabilidade prática e por oferecer um caminho claro para quem deseja dominar novas habilidades rapidamente. As histórias de sucesso pessoal e exemplos reais tornam as ideias mais tangíveis e motivadoras. Além disso, o embasamento em pesquisas de psicologia cognitiva dá credibilidade às recomendações.
Apesar de suas virtudes, o livro pode ser desafiador para leitores que não possuem hábitos de aprendizado autodirigido ou têm pouco tempo disponível. Algumas técnicas podem parecer intimidadoras, e a intensidade do método pode não ser adequada para todos. Além disso, as histórias de sucesso apresentadas podem não refletir as dificuldades enfrentadas por quem não possui a mesma disciplina ou recursos do autor.
Ultra-aprendizagem é um manual útil para quem deseja transformar o aprendizado em uma habilidade intencional e eficaz. No entanto, o sucesso no uso das estratégias depende da motivação e da capacidade de adaptação do leitor.



Domenico De Masi - O trabalho no século XXI: Fadiga, ócio e criatividade na sociedade pós-industrial# 18

 



Autor: Domenico De Masi
Título: O trabalho no século XXI: Fadiga, ócio e criatividade na sociedade pós-industrial
Local e data de edição: Editora Sextante; 1ª edição (14 junho 2022)
Número de páginas: 928 páginas
Tema: Trabalho – História. Trabalho – Aspectos sociais – História. Trabalho e trabalhadores.

Domenico De Masi, sociólogo italiano, faz uma analise em “O Trabalho no Século XXI”, as profundas transformações que o conceito e a prática do trabalho sofreram ao longo do tempo, especialmente na transição para a sociedade pós-industrial. O autor propõe uma reflexão sobre como a tríade trabalho, ócio e criatividade deve ser reequilibrada para atender às novas demandas de uma sociedade que se baseia cada vez mais no conhecimento, na tecnologia e na inovação.
De Mais, destaca que o modelo de trabalho da era industrial, caracterizado por longas jornadas, tarefas repetitivas e centralização em fábricas ou escritórios, já não é adequado às condições e necessidades do século XXI. Com o avanço da automação e da inteligência artificial, o autor prevê um deslocamento das ocupações tradicionais para funções mais criativas e intelectuais.
Inspirado por filósofos como Aristóteles e Keynes, De Masi defende o conceito de "ócio criativo", no qual o tempo livre não é um desperdício, mas um espaço essencial para a inovação e a autorrealização. Segundo ele, a sociedade precisa abandonar a obsessão pela produtividade extrema e valorizar atividades que estimulam o pensamento, a criatividade e o bem-estar.
Apesar das promessas de maior eficiência e qualidade de vida trazidas pela tecnologia, o autor reconhece que a distribuição desigual dos benefícios pode aprofundar as disparidades sociais e econômicas. Ele questiona se a sociedade está preparada para lidar com os desafios éticos e políticos dessa transição.
O autor enxerga a criatividade como o motor do progresso humano. Em um mundo cada vez mais automatizado, a capacidade de criar, imaginar e solucionar problemas complexos se torna o diferencial humano em relação às máquinas.
Ele oferece uma visão provocadora e otimista sobre o futuro do trabalho, mas também alerta para os perigos de não enfrentar adequadamente as mudanças estruturais. Sua abordagem interdisciplinar combina elementos da sociologia, economia, psicologia e filosofia, resultando em uma análise abrangente.
O Trabalho no Século XXI é uma obra essencial para compreender as transformações do trabalho na sociedade contemporânea. De Masi nos convida a reimaginar nossa relação com o trabalho, priorizando a qualidade de vida, a criatividade e a sustentabilidade. Apesar de alguns pontos discutíveis, sua análise oferece uma base sólida para repensar os modelos econômicos e sociais em um mundo em rápida evolução.


“O trabalho repetitivo, o fazer continuamente, sempre do mesmo modo, uma única coisa, é uma perspectiva aterrorizante para determinado tipo de mentalidade. É aterrorizante inclusive para mim. Eu nunca conseguiria fazer a mesma coisa todos os dias, mas para outros tipos de pessoa, e diria talvez para a maioria das pessoas, as operações repetitivas não são motivo de terror. De fato, para alguns tipos de mentalidade, pensar é realmente um castigo. Para eles, o trabalho ideal é aquele em que o instinto criativo não deve se exprimir. Os trabalhos que exigem cérebro e músculos tem poucos, aspirantes [...]. O operário médio, sinto muito ter que dizer isso, deseja um trabalho no qual não tenha que usar muita energia física, mas sobretudo almeja um trabalho no qual não tenha que pensar [...]. A maior parte dos homens deseja ser guiada e não quer ter nenhuma responsabilidade.”  Pag. 573

Este parágrafo me deu um mal estar quando o li, mas ao refletir sobre a grande maioria da população e a observar as pessoas ao meu redor, que por sinal tenho contato com uma grande quantidade de pessoas, me trouxe uma tristeza e um questionamento "Será que é uma realidade?", as pessoas são assim mesmo, acomodadas em aceitar sem contestar os padrões.